segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Vamos lá, que vai começar a baixaria

Não deixe gozar na cara, não. Mete a boca!

Ei você, mulher de malandro, adora apanhar na cara? Adora ter um prazo para propor um requerimento e que a faculdade não respeite um para responder?

Ei você, masoquista, adora ter que pagar taxas administrativas, quando, pela lei, a faculdade deveria ser de graça?

Ei você mesmo, adora ter que repor aulas aos sábados quando o professor falta, alegando qualquer razão, ou nem isso?

Ei você, que é doutrinado pelos "senhores doutos professores" que enfiam, goela a baixo, livros pré- "indicados" e que, quando vão à biblioteca, não os encontra. É, você mesmo, não deixe gozar na cara não. Mete a boca!

Escreva! Proteste! Manifeste sua indignação!

É um direito seu e um direito da sociedade ter uma faculdade que não possua somente um nome respeitado, mas que, verdadeiramente, seja um "antro" de conhecimentos, de idéias novas, de pesquisa e discussões em prol dessa mesma sociedade e dos mais necessitados que pagam para a faculdade existir. Um "antro" freqüentado por boêmios que bebam juventude, dancem revolução social, transem idéias e, porta vozes do povo sofrido, cantem esperança.

Sem luta, nunca melhoraremos nossa faculdade, nosso país. Sem luta, nunca conquistaremos nosso direito indelével de viver e de pensar. Alguns podem até considerar, erroneamente, que a luta não admite diálogo. Porém a luta, muitas vezes, é uma etapa anterior para tornar o diálogo mais justo, elevando os dois lados a uma mesma posição, sem que ninguém tenha de olhar para cima para dialogar com o outro, sem que tenhamos um prazo para requerer e o outro lado não respeite um para a resposta, sem que tenhamos que pagar para que aconteça esse diálogo. Enfim, dizem também, que é coisa de vagabundo lutar por um ideal. Que seja então. Mas que se preparem, pois como disseram lutadores bem maiores: "Os poderosos podem destruir uma, duas ou até três rosas, mas jamais deterão a primavera." (Che Guevara)


E quem sabe um poema de Vinícius de Moraes, para distrair um pouco?


Ai, quem me dera

Ai quem me dera, terminasse a espera
E retornasse o canto simples e sem fim...
E ouvindo o canto se chorasse tanto
Que do mundo o pranto se estancasse enfim

Ai quem me dera percorrer estrelas
Ter nascido anjo e ver brotar a flor
Ai quem me dera uma manhã feliz
Ai quem me dera uma estação de amor

Ah! Se as pessoas se tornassem boas
E cantassem loas e tivessem paz
E pelas ruas se abraçassem nuas
E duas a duas fossem ser casais

Ai quem me dera ao som de madrigais
Ver todo mundo para sempre afins
E a liberdade nunca ser demais
E não haver mais solidão ruim

Ai quem me dera ouvir o nunca mais
Dizer que a vida vai ser sempre assim
E finda a espera ouvir na primavera
Alguem chamar por mim...


Vinicius de Moraes
in "Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"


Diego Alexandre é acadêmico do 3º ano da Faculdade de Direito de Jacarezinho

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