quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Guia básico para os "Bixos"


Nesses dias que antecedem a divulgação do resultado do vestibular uma série de dúvidas toma conta da cabeça dos vestibulandos. Uma nova cidade, um novo período, uma nova vida. Mas, como será a faculdade? Como será a cidade? Como conseguirei me manter?

A vida universitária não se restringe somente aos estudos. Se não houver uma estrutura o estudante não consegue atingir sua plena capacidade. Em Cuba, por exemplo, o estudante além de direito a moradia, alimentação e uniformes ainda recebe uma bolsa de 100 pesos. Nas grandes universidades brasileiras o movimento estudantil pressiona e faz com que a reitoria e o governo forneçam os subsídios necessários para que os estudantes possam estudar e ter uma vida digna. Restaurantes Universitários, moradia e bolsas de pesquisa são freqüentes nos lugares em que existe um movimento estudantil forte e combatente. Isto se chama política pública de permanência.

Mas e em Jacarezinho, isto existe? O estudante que vier morar em Jacarezinho já deve se preparar, pois a vida não será fácil. A começar pela busca por um emprego. Por aqui, a não ser que você seja parente de alguém importante, o emprego disponível é de estagiário, com um salário de no máximo R$200,00. Para conseguir um emprego desta forma o estudante deve requerer na secretaria da faculdade um atestado de matrícula. Normalmente costumam cobrar R$10,00 por esse documento. Mas para você, estudante bem informado leitor do InFormação, aqui vai uma dica que vai te economizar os R$10,00 (o equivalente a 3 cervejas por aqui): Não pague pelo documento, pois esta é uma prática inconstitucional. Para tanto, quando requerer o documento, diga que você não tem dinheiro para pagar. Que você está requerendo o documento para arranjar emprego, e desta forma exija falar com o diretor ou vice da faculdade. Caso digam que não será possível cite a constituição. O artigo 206 da Constituição garante a gratuidade em instituições oficiais. Já o artigo 5º, XXXIV diz que são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas, a obtenção de certidões em repartições públicas. Se nem dessa forma funcionar procure o promotor público. Explicando seu caso à direção eles irão conceder o atestado sem que você pague nada.

Em posse do atestado de matrícula procure o CIEE (Centro de Integração Empresa Escola) que fica na rua Cel. Batista e faça seu cadastro. É gratuito. Depois disso é só esperar (e para quem acredita, rezar). Para as mulheres a maior parte dos estágios é nas creches municipais. Já para os homens o negocio é mais complicado, e aí é preciso muita, mas muita sorte para conseguir um estagio. Outra forma de se manter por aqui é arranjar uma bolsa de pesquisa. Por enquanto existem poucas bolsas deste tipo. Mas quem consegue tem um salário um pouco maior (por volta de R$300,00) que dos estagiários comuns. Portanto, se você quiser viver com bolsa de pesquisa pode começar a rachar de estudar desde já.

Já moradia é mais complicado ainda. Só existe uma casa para estudantes que é do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito. A Faculdade de Filosofia não possui uma casa de estudantes (que segundo a direção da instituição se encontra em vias de projeto). A outra opção de moradia são as republicas. Reúna seus novos amigos universitários e saia atrás de uma casa. Mas, outra dificuldade vem por aí: A maior parte dos proprietários não gosta de alugar casa para estudantes. Sendo assim você já pode ir se preparando para uma casa meia boca (e ir dizendo adeus ao leitinho quente que a mamãe te levava na cama toda noite).

E já que estamos falando do leitinho quente pode ir preparando seu estomago (porque nem só de cerveja vive o homem). Por aqui não existe nenhum restaurante universitário, então quem não sabe cozinhar já pode ir pegando umas dicas com a mamãe. O melhor lugar para se comprar frutas e verduras é a Feira da Lua que acontece todas as quartas-feiras a partir das 18h ao lado da Catedral.

Com essas dicas você, bixo assustado que ainda não conhece a vida universitária pode ir se preparando, pois apesar de tudo serão os 4 melhores anos da sua vida. Mas, seria bem melhor se houvesse uma união para lutar pelas políticas públicas de permanência. E desta forma assegurar que não somente os que estão entrando agora, mas também os que virão depois, possam estudar e viver de forma digna. Para que depois, o que foi aprendido na Universidade possa ser devolvido à comunidade. É o retorno social, obrigação de todos aqueles felizardos que conseguiram uma das poucas vagas em universidades públicas no país.

Um comentário:

Anônimo disse...

Valeu mesmo as dicas... os bichos agradecem!