Imposição ditatorial na criação da UENP
Projeto de regimento interno prevê que reitor será o responsável pela escolha de representantes do movimento estudantil
Nos dias atuais é comum ouvirmos estudantes que fazem parte do movimento estudantil dizendo que gostariam de ter vivido durante a ditadura militar, pois naquela época havia pelo que lutar. Talvez por ingenuidade, ou por falta de informação, não percebam que o tempo passou, mas as desigualdades e injustiças não.
Tomemos, por exemplo, a questão da autonomia estudantil. Uma das maiores bandeiras de luta do movimento estudantil foi para que os representantes acadêmicos (Diretórios e Centros Acadêmicos) continuassem a ser escolhidos pelos próprios discentes e não por órgãos colegiados. Os estudantes indicados pela direção das instituições de ensino não representavam os estudantes de fato, pois, por serem indicados, tinham o “rabo preso” e preferiam se aliar à direção a lutar ao lado dos estudantes.
Eram na verdade apaziguadores dos ânimos exaltados daqueles que, já naquela época, conseguiam perceber que o país e a educação brasileira não iam nada bem. Manifestações foram feitas, muitos estudantes foram presos, outros tantos morreram para que, nos dias de hoje, pudéssemos ao menos escolher nossa representação estudantil.
Mas hoje, mesmo depois dos militares terem deixado o poder, ainda existe um resquício ditatorial. Ainda existe pelo que lutar, pois na realidade nossa democracia é apenas uma máscara. Tanto que, de tempos em tempos, surgem propostas de déspotas que querem colocar rédeas no movimento estudantil. Um claro exemplo disso é a proposta de regimento interno da UENP, que delega ao reitor a função de escolher a representação estudantil da universidade, exatamente como foi a proposta dos militares para o movimento estudantil. Será que embarcamos em uma máquina do tempo sem perceber e voltamos aos anos de chumbo?
As reuniões para elaboração desse estatuto são realizadas às escondidas, sem a participação dos estudantes. A votação das propostas é feita sempre fora do horário de aulas e com pouca divulgação para que haja pouca participação estudantil. O tempo para a análise das propostas é muito curto, para que os estudantes não percebam os absurdos que estão sendo aprovados.
Aqueles que dizem não se mobilizar por que não existe mais porque lutar precisam mudar o discurso, senão seremos engolidos por um estatuto elaborado às pressas e sem nossa participação. Precisamos mostrar que este estatuto é absurdo e anacrônico. Precisamos nos mobilizar e mostrar que representação estudantil só pode ser feita por estudantes e não por burocratas e professores que não conhecem nem respeitam nossa realidade.
Companheiros de luta, devemos mostrar nossa força e dizer não ao regimento interno da UENP que, se não fizermos nada, será aprovado nesta sexta-feira dia 17 de agosto.
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