domingo, 5 de agosto de 2007

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Algumas imagens da manifestação da USP que ninguém viu pois a Globo omitiu.
Os estudantes atacaram com flores












(Jane Rose - manifestação contra a guerra do Vietnã 1968)












E com Livros











A polícia responde com socos e tiros


Apesar de talvez me acusarem de anacronismo é muito difícil não reparar nas semelhanças entre o contexto atual e os anos 60, principalmente 68. Dos levantes estudantis na França, à greve da USP a semelhança é muito grande.

Os críticos com certeza falarão da Ditadura, da Guerra fria e da consciência política daqueles que participaram das mobilizações. Dirão que tudo isso é passado, que hoje vivemos numa ”democracia”, que a guerra fria acabou e que os tempos são outros. Falarão da crise do fim das utopias que se seguiu à queda do muro de Berlim, da queda do “comunismo” após a era Mikhail Gorbachev e a Perestroika.

Porém, como não enxergar que hoje nossa democracia não é real. Que na verdade a ditadura assumiu apenas uma nova roupagem, onde na verdade o ápice da farsa se dá no momento do voto, pois o voto serve apenas para legitimar que aqueles que tiveram mais dinheiro pra investir em suas campanhas assumam o poder de comandar nossas vidas.

Como não enxergar que o estado continua sendo policial? Que nossa liberdade de expressão só é valida quando não é crítica ao sistema. As manifestações públicas contra o sistema continuam sendo reprimidas com a mesma violência que eram nos anos 60. Tanto em 68 quanto hoje as opiniões individuais podiam divergir do sistema vigente. Mas quando as pessoas mostravam sua indignação publicamente eram reprimidas. Tanto ontem como hoje a chamada “liberdade de expressão” continua restrita ao interior de nossas mentes. Se você protestar coletivamente, publicamente, com certeza será reprimido de alguma forma. Ou será taxado de louco ou então sofrerá o abuso da força policial repressora do estado. Talvez a diferença resida aí. Novas técnicas de repressão foram criadas, novas formas de silenciar o povo surgiram.

A guerra fria continua viva, onde na verdade dizer que o comunismo morreu é apenas mais uma arma do imperialismo norte americano para tentar conter a tendência esquerdista que surgiu na América Latina. A tentativa soviética barrou no centralismo do poder e no caráter nacionalista que assumiu. Desta forma o “comunismo” soviético foi apenas mais uma forma de capitalismo de estado do que uma experiência realmente revolucionária. Por outro lado a tentativa revolucionária latino americana está tentando romper as fronteiras nacionalistas baseando-se nos ideais internacionalistas bolivarianos o novo esquerdismo latino americano demonstra que aprendeu com os erros do passado e caminha para o futuro.

Pela exploração que sofreu durante mais de meio milênio, hoje a América Latina é palco do re-surgimento do ideal revolucionário, da tentativa de se acabar com o colonialismo, da busca da igualdade social a força – uma vez que os meios “democráticos se mostraram apenas mais um instrumento de dominação e reprodução do ideal “democrático” norte americano.

De Cuba à Bolívia, vivemos hoje o ressurgimento do sonho de uma América Latina livre dos interesses imperialistas. E o medo de perder suas colônias sul americanas faz com que os Estados Unidos da América façam ressuscitar a guerra fria com uma nova roupagem.

Talvez ainda nos falte a retrovisão necessária para percebermos o contexto atual. A censura midiática mascarada, a repressão policial, a guerra civil vivida hoje no país, e a guerra de informações, tudo isso estava presente durante os “anos de chumbo”.

O que precisamos é enxergar o que está acontecendo no país. Pois a partir do momento em que o contexto se torna claro é que as pessoas irão buscar as transformações que necessitamos.


Um comentário:

Anônimo disse...

Que lindas essas imagens das manifestações com flores e livros.

Meus parabéns a quem está organizando o jornal, é muito útil para nós universitários.

E a propósito, sei que não tem relação com o post e tal, mas seria interessante comentar no jornal a respeito dos problemas de comunicação que a faculdade sofre, sempre tudo resolvido na última hora e as informações passadas aos academicos incompletas e confusas, sempre somos nós que saímos prejudicados com isso. Só uma sugestão..

repetindo... meus parabéns a vcs.. =)